Amor vivo, por Antero de Quental
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Amar! Mas d’ um amor que tenha vida
Não sejam sempre tímidos harpejos,
Não sejam só delírios e desejos
D’ uma doida cabeça escandecida.
Amor que viva e brilhe! Luz fundida
Que penetre o meu ser – e não só beijos
Dados no ar – delírios e desejos -
Mas amor dos amores que tem vida.
Sim, vivo e quente! E já a luz do dia
Não virá dissipá-lo nos meus braços
Como névoa da vaga fantasia.
Nem murchará do sol a chama erguida…
Pois que podem os astros dos espaços
Contra uns débeis amores se têm vida?
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