Ontem, na Rede Globo, ouvi uma música que não conhecia.
Noite de Paz, como todas as canções da célebre compositora, foi inspirada nas dores pessoais.
Alguém disse uma vez que aqueles que escrevem, seja na literatura, na música ou no diário que guardamos na última gaveta, debaixo das blusas, o fazem para se livrarem daquilo que tanto lhes incomoda.
Concordo.
Ariano Suassuna, numa palestra que assisti em Goiânia, disse que, se não há sofrimentos, não há história. “Escrever sobre uma personagem cuja vida deu certo desde o dia em que nasceu não passa de uma página”, lembro-me de ouvi-lo contar.
Naquela época, pouco mais de quatro anos atrás, eu não dei muita atenção a isto. Mas hoje, depois de ter saído de Goiás, enfrentando demanda após demanda da vida em São Paulo, reconheço a experiência até mesmo num docudrama apresentado pela emissora dos Marinho.
Na música de Dolores, fica patente a catarse. Afinal, ainda padeço das dores de um coração partido. Às vezes me pego fazendo os mesmos pedidos em que ela faz na letra da canção.
“Dá-me, Senhor/ Uma noite sem pensar/ Dá-me Senhor/ Uma noite bem comum/ Uma só noite em que eu possa descansar/ Sem esperança e sem sonho nenhum/ Por uma só noite assim posso trocar/ O que eu tiver de mais puro e mais sincero/ Uma só noite de paz pra não lembrar/ Que eu não devia esperar e ainda espero”.
E o pior é que eu realmente ainda espero.
Ouvindo Dolores e Maysa, é claro, que é para não perder a classe.
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vc só ainda espera, pq não teve a oportunidade de me conhecer….
Comentário por fernanda Janeiro 9, 2009 @ 3:22 am