Do seu Walter e da dona Leontina, pais de minha mãe.
Porque fui o primeiro dos que vieram na década de 1980. Sou o mais velho de todos os primos que cresceram junto comigo.
A vida toda os tive por iguais. Nunca os vi como mais novos. Éramos apenas garotos de mesma faixa etária que, mesmo com objetivos tão diferentes para a vida já naquela época, sabíamos compreender uns aos outros.
É por isso que, talvez, quando já depois de todos crescidos, o susto seja bem maior que o esperado ao receber a notícia de que vários deles estão deixando de ser, na minha memória, aquele bando de moleques para assumirem o papel de pais e mães.
Por isso, quando meu irmão me contou que minha prima Fernanda, filha dos meus tios Jaurez e Nice, uma irmã para nós, estava grávida, senti-me tio.
O Lúcio, com seu jeito típico, só me disse “Fernandão tá graúda” e meu sorriso se abriu com 100 megawatts de potência. Só consegui pronunciar um “que maravilha!” meio atravessado pela emoção.
Mas a idéia maturada, resguardada a felicidade, me fez pensar um pouco na vida.
Eu não tenho a intenção de ter filhos agora. Não sei se os terei adiante.
Lembrando das nossas férias juntas, fosse quando íamos para casa deles, ou fosse quando vinham para a nossa, senti-me um pouco entristecido por pensar que, caso eu venha a ter rebentos, eles não terão a companhia dos filhos da Fernanda para crescerem.
É uma pena. Realmente é.
As perguntas que me faço são: quem está no tempo certo? Será que sou eu quem está atrasado? Será ela quem está adiantada?
Não adianta me responderem que cada um tem o seu tempo, porque a constatação é iminente. Eu estou ficando para titio.
E o pior (ou melhor, vai saber): tio dos filhos dos meus primos.
As time goes by.
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