De quem acabou de deixar o trabalho e tem que voltar a ele, porque esqueceu alguma coisa.
É uma desolação que não se vê em nenhum outro momento do dia – a não ser que se tenha algum velório programado, claro.
Hoje saindo do trabalho, duas esquinas já distante, passando diante de um prédio comercial onde atendem de médicos a financistas, vi que, mais depressa do que deve ser seu caminhar normal, uma mulher de meia-idade, trajando casaquinho cor-de-rosa e calça cáqui, calçando sapatos combinados, depois de descer as escadas e, finalmente, ter chegado à rua, parou de repente.
No rosto, todas as coisas e mais algumas das que não gostaria que lhe tivessem ocorrido.
Deu meia volta, subiu as escadas, tendo já aberto a bolsa, ainda dependurada no ombro esquerdo, enquanto a mão direita, fuçando seus segredos, procurava a esperança de encontrar o que havia esquecido dentro da primeira gaveta de sua mesa, disposta na última de seis fileiras de baias, na sala à direita de quem sai do elevador, quando, apressada, cansada, pensando no metrô enfestado de gente, desligou o computador, deu graças à Deus pelo fim do expediente e saiu.
Coitada, pensei. Antes não o tivesse feito. Praga, na certa.
Quando dei por mim, já subia os cinco degraus que havia descido em pouco menos de vinte minutos e que me levariam ao hall do prédio onde trabalho. Esperei por mais um bom tempo o elevador – porque eles também têm sua hora do rush – para voltar à minha mesa, abrir a minha primeira gaveta, onde tinha esquecido o texto que deveria trazer para a aula de hoje.
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tu és uma delícia, fefet.
Comentário por Vanessa Guedes Julho 3, 2008 @ 12:49 pm