Cena final de Tarde Demais Para Esquecer, de Leo McCarey, com Cary Grant e Deborah Kerr.
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Quando a vida parece um filme, é sim preciso ter cautela. Mas é também muito lícito que se embarque na viagem.
Agora, às 21h, estou no hall do hotel onde moro e, enquanto escrevo este texto, ouvindo Amy Winehouse, estou pensando nas cenas que se seguirão nos próximos dias. E, sendo bem franco, me sentindo, sem culpas, muito bem nesse personagem.
Adolescente, ansioso, atormentado pela sensação de borboletas na barriga. As mãos até suam vez ou outra.
Até pareceria ridículo, se eu já não soubesse aquilo que já vivi.
Há muito esperava por este papel. Não para representá-lo, mas para vivê-lo sem impedimentos, tendo como limite apenas a linha do horizonte a me lembrar que um passo deve sempre ser dado após o outro.
O ontem e o hoje foram muito indulgentes comigo. Acordei tarde, porque precisava. Ou melhor, levantei ao meio-dia porque eu estava muito afim e ponto.
Foram dias de muita atividade os que passaram e, com a sensação de pedaços irregulares, colei com sono o que tinha sobrado de mim.
E cá estou inteiro. As esperanças não foram embora não.
Ontem à tarde, tomei coragem e convidei para o concerto. Aceitou.
Mme. Nicolielo tem sido decisiva em soluções rápidas e práticas que eu simplesmente não via por mero comodismo. Foi ela que me fez apagar um telefone da agenda e, com esse gesto, me libertar para todas as coisas que estão se seguindo desde ontem.
É tão bom quando as coisas tomam o seu caminho original. Sem sentimentos atravessados, sem atitudes resvaladas, apenas os passos seguindo-se um atrás do outro.
O desvendamento é o caminho mais seguro para a percepção.
Desde então, conversas por e-mail têm ajudado a preencher o dia com leveza. E também com entusiasmo que me faz atualizar a caixa de entrada de dez em dez minutos.
É provável que as primeiras faixas da trilha sonora deste filme sejam tocadas pela Bamberger Symphoniker.
Mas por dinâmica interna, prefiro não comentar nada sobre o roteiro. Aliás, não quero nem fazer a sinopse.
Pode ser sim muito egoísta de minha parte, mas é um momento a ser vivido somente pelas partes interessadas. Afinal, mais de uma vida, mais de uma expectativa estão envolvidas nessa trama.
Ontem falamos sobre filosofia, sobre Hegel. Tudo e nada, mas, especialmente, pelo fato de ele ter trazido a felicidade aos temas de propriedade da vida.
Estou feliz, mesmo tendo alimentado essa sensação de melancolia durante todo o dia.
Foi o que me fez descobrir, por meio da Florbela Espanca, que “as almas dos poetas/Não as entende ninguém;/ São almas de violetas/ Que são poetas também”.
E isso me faz gostar ainda mais.
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Em tempo: desde ontem, está no ar o blog do curso de Criação Literária, da Academia Internacional de Cinema, que estreou falando da mentira. Quem quiser conferir, basta clicar aqui.
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