as canções de f.


Horário-justificativa para não ter postado
Abril 21, 2008, 7:56 pm
Arquivado em: Prosas, Pílulas

Neste final de semana prolongadíssimo:

Dia 18 de abril, às 18h:
- saio do trabalho correndo, passo no supermercado para comprar bebidas, chego em casa, tomo um banho e vou ao encontro dos meus amigos prosadores. Era dia da 1ª Pizzada da turma.

Dia 18 de abril, às 20h21:
- chego à casa de Antônio Piano. À mesa, apenas o nosso presidente Mário Portenhos e as promessas noturnas entre uma fatia de mussarela e outra de portuguesa, enquanto aguardávamos os outros.

Dia 18 de abril, às 21h20:
- Empacotado de frio, abraço Vanessa La Belle. Ao meu lado quase durante toda noite, contaríamos crises de riso, cigarro e confidências sexuais.

Dia 18 de abril, às 21h33:
- conheço Cátia, professora de Geografia, alçada ao posto de primeira-dama involuntariamente.

Dia 18 de abril, às 21h42:
- os outros começam a chegar em intervalos mínimos: Gabriel e seus braços poéticos, Débora e o seu violão-nem-a-pau, Dra. Thaís Cardoso e seu bisturi de palavras, Elvirson e seu precedente Júnior, Filipe e seu espírito Dizãs, Ali e seu sorriso barbado.

Mme. Nicolielo e sua sensualidade amiga.

Dia 19 de abril, às 0h25:
- confissões à meia-noite e cantorias esfuziantes: latinhas se acumulam sobre a mesa.
Caixas de pizza são empilhadas na mesa ao lado.

O som toca, eu sorrio lembrando que, em pouco tempo, teria que estar no aeroporto.

Dia 19 de abril, às 3h:
- subo na cadeira para cumprir meu papel na diretoria: sou eu o leitor oficial de nossas produções etílicas.

Dia 19 de abril, às 4h:
- Mme. Nicolielo e eu dançamos ao som de Shivaree.

Dia 19 de abril, às 5h30:
- Mário Portenhos e Cátia, a primeira-dama, me dão a honra e a gentileza de uma carona.

Dia 19 de abril, às 7h:
- sem dormir, tomo meu café-da-manhã, sigo para o terminal Amaral Gurgel e espero, por 15 minutos, o ônibus com destino a Congonhas.

Dia 19 de abril, às 8h55:
- o avião da Gol que trazia meu pai completa o taxiamento.

Dia 19 de abril, às 9h05:
- ele surge atrás da porta da sala de desembarque. É a primeira vez que vejo meu pai depois de seis meses.

Dia 19 de abril, às 10h05:
- instalo-o no quarto e partimos para o city tour. Nem me lembro que estou há mais de 24h sem dormir. A presença de meu pai dá energia.

Roteiro: Esquina da Av. Ipiranga com a Av. São João, Torre do Banespa, Mosteiro de São Bento, 25 de Março, Metrô, Av. Paulista, Masp, Trianon, Almoço no Center Três, passagem pela Livaria Cultura, Caminhada pela Rua da Consolação, Copan, Rego Freitas, Largo do Arouche.

Dia 19 de abril, às 16h:
- tomo um banho, deito no sofá e acordo às 20h32. Meu pai me observa.

Dia 19 de abril, às 21h44:
- jantamos pizza, enquanto conversamos. Minha madrasta me mandou um pote de amendoins açucarados de presente.

Dia 19 de abril, às 22h21:
- Martin, meu amigo sueco, vem conhecer meu pai. Conversamos.

Dia 19 de abril, às 23h36:
- caio no sono, enquanto leio. Acordo no outro dia, às 9h. O dia está frio e chuvoso.

***************

Dia 20 de abril, às 9h30:
- tomamos o café-da-manhã e voltamos ao apartamento. No sofá, durmo até às 12h21.

Dia 20 de abril, às 13h:
- meu pai, Martin e eu seguimos rumo ao Pátio Higienópolis para o almoço. Eles tomam uma cerveja, enquanto eu fico na água com gás.

Dia 20 de abril, às 16h15:
- voltamos ao hotel. Na televisão, um para o Palmeiras, zero para o São Paulo.

Dia 20 de abril, às 19h:
- meu pai acorda de seu descanso da tarde. Na televisão, Christiane Torloni dá outro show na Dança dos Famosos, do Domingão do Faustão.

Conversamos sobre família e ameaças. Todo mundo tem seu louco no clã. No dele, contabilizo: uma tia e um primo.

Dia 20 de abril, às 22h25:
- Alexandre Nardoni e Ana Jotobá dão entrevista exclusiva ao Fantástico. Alegam inocência quanto ao assassinato da comentadíssima Isabella, mas condenam-se diante das câmeras: assassinam a Língua Portuguesa à sangue frio e também a cores.

Dia 20 de abril, às 23h15:
- Adianto a leitura de um livro até pegar no sono. Peço a benção ao meu pai e vou dormir.

***************

Dia 21 de abril, às 8h20:
- Acordo primeiro que meu pai e o espero. É preciso partir.

dia 21 de abril, às 9h30:
- depois do check out no hotel, pegamos o ônibus rumo a Congonhas.

dia 21 de abril, às 10h35:
- check in feito, mala despachada, seguimos rumo ao café. Meu pai se inebria com um novo modelo da Honda exposto no saguão do aeroporto.

dia 21 de avril, às 11h26:
- mais um panorama pelas novidades familiares até escutar àquela voz: “atenção passageiros Gol, vôo 1204, com destino a Brasília, última chamada, embarque imediato“.

Subimos as escadas e, depois do último abraço – com o coração apertado por não saber digerir bem a saudade -, vejo meu pai sumir na sala de embarque.

***************

Com horários perdidos:

Volto para casa, recolho-me em minha solidão cotidiana e escrevo o que tenho que escrever: um texto para a estréia do blog do curso de Criação Literária, um texto cujo tema é secreto para a aula de Conto de amanhã, um pouco mais do capítulo de meu romance, e começo a esboçar idéias para o projeto da aula de Poesia.

O esgotamento – físico e emocional – me impeliu a fazer este horário neste blog.

Talvez por querer que o leitor vivesse comigo, outra vez, cada minuto.
Ou com a única certeza:
é nos escombros de hoje, depois de grandes feitos, que nasce aquilo que pode ser biografado.

Este horário é, portanto, um capítulo intrínseco, enquanto a maioria dos meus dias reverenciam o seu aparte.


1 Comentário até o momento
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adorei!
nossa noite de sexta foi realmente fantastic! hehe
beijos

Comentário por Priscila




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