as canções de f.


Coisas estranhas para se ver
Abril 16, 2008, 8:17 am
Arquivado em: Pílulas

Por aí, durante caminhadas à toa pela cidade…

- Descendo a Av. Angélica, do lado esquerdo, luzes vermelhas anunciam: Centro de Depilação Vanessa (com o método espanhol da “Cera Negra”);

- Subindo a Rua da Consolação dentro de um ônibus da linha Terminal Santo Amaro, às 7h20, a primeira pessoa que se percebe: um homem na casa dos quarenta e poucos anos, um metro e meio de altura, pesando uns setenta quilos, calçado de botas e vestido de cowboy. Na cabeça, um chapéu com detalhes em strass;

- Na Av. São João esquina com a Av. Duque de Caxias, tanto à noite, quanto pela manhã: frangos assam enquanto giram numa televisão de cachorro. O estabelecimento funciona 24h;

- Ainda na Av. São João esquina com a Av. Duque de Caxias, no mesmo lugar dos frangos, porém no segundo ambiente do estabelecimento: é também comum ver (e ouvir) pessoas ébrias a soltar a voz num karaoke. Às 7h da manhã;

- Na Rego Freitas, um mesmo mendigo senta-se diante de um supermercado para, além de ganhar uns trocados, paquerar os travecos que trabalham por ali durante a noite: “oh gatinha! só ganhando para ter, gatinha! só ganhando…”;

- Na Av. Ipiranga, altura da esquina famosa do Caetano: diante de um renomado bar, outro mendigo fica repetindo sempre a mesma canção para as pessoas que vão entrando: “Deus dá o frio conforme o cobertor… e hoje nóis prega a paia nas grama dos jardim, e pra esquecer nóis cantemos assim: saudosa maloca, maloca querida….”;

- Na Av. Dr. Arnaldo, diante do Cemitério do Araçá, uma vendedora de rosas pergunta jocosa aos seus clientes: “já está perto de mudar para cá?”

- Na Rua Caiowaa, próximo à Heitor Penteado, um latão de lixo especial anuncia sua existência: “Neste latão, só produções de seu bichinho”;

… enquanto a vida segue.


2 Comentários até o momento
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É rapaz, São Paulo é como Nova Iorque, milhões de histórias ocorrendo ao mesmo tempo. E o que difere de outras cidades com milhões de pessoas é que aí, como lá, tem milhões de histórias inusitadas. Observar é a melhor coisa que a gente faz em uma cidade grande como essa.

abraços!!

Comentário por Eduardo Sartorato

na linha 171 – Cruzeiro-Pça A um ceguinho diz:
“Cruzeiro praça A, o ônibus errado você não vai pegar…”

Comentário por mariacristina




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