essa cor de ardósia
com a qual pintaram o mar hoje; as montanhas da cercania encobertas pelas nuvens e, por debaixo delas, o branco da neve; o sol que ora vem e ora vai; o vento frio e, na sala ao lado, as canções de um musical antigo.
a calma nas ruas indica festejos interiores. esse cheiro de lenha que sai das chaminés e, de vez em quando, o anúncio de uma carne a ser preparada. vez ou outra um carro estaciona na porta de uma casa e sorrisos são retirados do porta-malas.
mas não é bem assim. claro, é mais. as palavras falham na descrição, porque, quiçá, seja inútil fazê-la.
aí penso na minha família, nos meus amigos e nas cores que cada um deles deve estar vendo no dia de hoje e me lembro: não seja bobo. não é preciso tanto. há sim algo simples que se pode dizer para pintar o clima certo:
feliz natal a todos.
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dice el amante
en el amor palabras
que no entiende, mentiras
con que procura defender el brote
de su esperanza, rehecha en cada hora.
antes de que el amor
desenmascare su voracidad
y en litigio se exprima la mandrágora,
del todo y para siempre
piensa nacer. pero hay una sonrisa
por el aire que sabe la verdad.
no es el tiempo el que pasa,
sino el amante, y dura
la promesa tan sólo
el instante que dura su expresión.
no somos dueños del amor, ni puede
el éxtasis morderse como un fruto.
…
no somos dueños del amor: amamos
lo que podemos, pues la muerte y
el amor no se escogen. presentimos
que los raudales de la soledad
volverán a correr aún más copiosos,
pero intentamos destronar la muerte
con el beso. y en tanto
besamos, se nos vuela la mirada
hacia lo nuestro, que es el desamor
y su cierta inminencia.
textos de antonio gala, do livro “poemas de amor”, presente de natal que uma amiga do léo me deu.
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escuta aqui
ainda que eu chegue por último na corrida até 2010, o ano também estará para mim da mesma forma que estará para quem chegar primeiro, minha filha. isso não é mérito seu.
estou cansado dessa sua mania de competição. que coisa mais last week. mas tudo bem, aceito o seu desafio, com as suas regras. sei reconhecer o lugar que me cabe.
comecemos?
meus olhos enxergam muito mais que a ponta do seu dedo. meu coração sente muito mais que esse peito estufado. minha cabeça pensa muito mais que essa meia dúzia de porcarias despejada pela sua boca.
e sinto vontade de ser arrogante sim.
tenho a mesma idade que você, querida, e ainda que sua crista esteja alta, a minha nunca se abaixa.
contabilizo um curso universitário, uma especialização e um mestrado. falo inglês fluentemente, já estudei francês e o espanhol está cada vez melhor, além do português que é minha língua materna. e você, hã? o que me diz? sigo adiante?
e sinto vontade de ser ridículo sim. se eu quiser, ninguém me impede. porque essa é uma escolha minha, querida, já você não tem opção.
está com medinho, está? hijaputa.
talvez não seja medo, não é? essa cara de quem não entende é burrice mesmo. nota-se. típico de quem pensa viver, mas não sabe a terça parte do que é a vida.
quer saber o que é? eu lhe conto. é aquilo que você nega quando reclama. é aquilo que você deixa de lado quando começa com seus faniquitos. vida é ter amigos. creio que, na sua contabilidade, existem cada vez menos, não?
vida é ter família, meu bem e o (eu sei que você tem. o que depõe contra você é o pouco) valor que se dá a ela e, claro, não se esqueça do principal, do quanto eles valoram você. vida é não ter receio de encarar a ninguém, especialmente a pessoa que você ama. não devo nada, não tenho medo de nada.
quer que eu continue?
talvez eu devesse, mas não. não tenho vontade alguma de ser sádico. porque essa também, se você não sabe, é uma escolha que temos e a que eu faço é justamente um dos pontos que me diferenciam de você.
ah, agora você parte para ameaças? pois bem, chama mesmo quem tenha que chamar. aliás, já deveria ter chamado. não é o certo a ser feito? claro, chama! chama agora!
assim evitava gastar meu tempo, saliva e paciência com esse seu vaudeville. e pega meu conselho, que é de graça e de coração: parte para outra, porque comigo você não tem audiência.
estúpida.
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meu estômago
roncou, enquanto estávamos abraçados. e eu disse:
__ tá dizendo que te ama.
ele riu.
__ eu ouvi.
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querido papai noel,
tenho tentado ser um bom rapaz, mas não sei mais qual é o padrão de bondade que o senhor pede às pessoas hoje em dia. minha consciência está limpa e me sinto feliz.
não tenho feito ninguém sofrer e já há algum tempo ninguém me provoca sofrimento. a não ser que eu deixe. mas aí é outra história.
este ano de 2009 foi muito bom. tenho o amor das pessoas que me cercam, amigos fantásticos e, depois de muitos, muitos anos, esse será o primeiro natal em que meu coração não reclama ninguém.
posso parecer pidão, uma vez que já recebi o pacote com o livro, o cd e o dvd, além dos cartões que vieram do Brasil.
mas decidi lhe escrever porque minha mãe me deu uma bronca e me disse que eu nunca deveria ter deixado de lhe confiar meus desejos. como eu nunca gostei das broncas da minha mãe, aqui estou.
caso o senhor achar que eu mereça, neste natal, peço que me mande frases bacanas e inteligentes, imagens interessantes e bonitas e me ajude a desenrolar os últimos acontecimentos do livro que tenho escrito.
peço também que o senhor mande mais vontade e idéias para uns dez contos mais que faltam para o livro em que estou reunindo textos do gênero.
gostaria também de ganhar outras coisas materiais, o senhor sabe, não sou de ferro. mas, como nessa altura da minha vida, acho um absurdo ter que depender de alguém para ter as coisas que quero, peço então que o senhor faça meus livros serem aceitos pelas editoras, que as livrarias queiram tê-los nas prateleiras e as pessoas desejem lê-los, que depois daí a gente resolve esses sonhos consumistas.
ah! se o senhor tiver tempo, dá um pulo aqui em casa também para comer alguma coisa com a gente na virada do dia 24 para o dia 25. mas se não der, não se preocupe: passa na casa do meu tio marquinho em niquelândia, que vai estar todo mundo lá de festa.
aí o senhor come um pouquinho da comida que minha tia adeir vai fazer, bebe da seleção de vinhos e champagne sempre certa da minha madrinha, dá uma dançadinha com a dona márcia com as músicas do bom gosto do meu tio marquinho, ri um pouco com a tia nair, tia nadir e o tio juarez, joga uma canastra com a tia nazir e alegra a noite dos meninos que estão ansiosos pela sua presença. dá um abraço no meu povo por mim.
se não for pedir muito, meu irmão vai estar com a namorada em corumbá de goiás, meu pai e a tânia estarão com a família dele em goianésia, meu avô reinaldo vai estar com a família da minha avó creuza e, quando passar por são paulo, dá um beijo nas meninas e nos meninos e diz que estou sentindo falta deles. não se esqueça também da família do léo.
bem, é isso. um feliz natal e bom descanso em 2010. e se quiser vir para cá no verão, fica à vontade! só avisa antes para a gente deixar tudo preparado.
grande abraço,
f.
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